Ainda é cedo para saber se o conflito no Médio Oriente vai trazer uma nova crise inflacionista. Mas os riscos de um aumento do custo de vida não se resumem à guerra e há um conjunto de lições relevantes a retirar da experiência dos últimos anos.
Ainda é cedo para saber se o conflito no Médio Oriente vai trazer uma nova crise inflacionista. Mas os riscos de um aumento do custo de vida não se resumem à guerra e há um conjunto de lições relevantes a retirar da experiência dos últimos anos.
"The instruments and historical contexts may differ, but Washington’s underlying objective in both cases [Chile and Venezuela] was the same: to reassert control over property rights and strategic resources in the western hemisphere."
"As 22 maiores empresas petrolíferas do país acrescentaram 25 mil milhões de dólares ao seu valor de mercado entre a sessão de sexta-feira e a abertura desta segunda-feira, numa altura em que Trump quer ter "acesso total" ao petróleo da Venezuela".
"US energy companies will return to Venezuela, as Trump put oil at the heart of his plan for regime change. Trump said American drillers would extract “a tremendous amount of wealth” and the revenues would support a new regime - and compensate the Big Oil investors."
www.ft.com/content/b395...
Trump: "We're going to have our very large United States oil companies go in, spend billions of dollars, fix the badly broken infrastructure and start making money for the country. And we are ready to stage a second and much larger attack if we need to do so."
"US oil companies dominated Venezuela’s petroleum industry until the country moved to nationalize the sector, first in the 1970s and again in the 21st century. Compensation offered by Venezuela was deemed insufficient. “They took all of our oil not that long ago. And we want it back”, Trump said."
"A isenção fiscal atribuída a jovens na compra de casa levou a “comportamentos especulativos” entre vendedores e a subida dos preços anula a poupança conseguida com a medida em apenas alguns meses."
O problema de fundo está em confundir crescimento com desenvolvimento. A “economia do ano” não é igual para todos. Este tipo de rankings internacionais diz-nos muito pouco sobre a forma como o desempenho da economia se traduz nas condições de vida. 16/16
Além disso, a distinção da The Economist ignora a distribuição dos ganhos do crescimento. O modelo de crescimento dos países do sul da Europa gera impactos desiguais e beneficia essencialmente quem tem património acumulado e consegue extrair rendas. 15/
A expansão do turismo tem alimentado a subida dos preços das casas, o que aumenta não apenas o custo de vida das pessoas, mas também os custos para os outros setores, com rendas mais caras e maior dificuldade em atrair trabalhadores para áreas onde os preços mais crescem. 14/
O que aumentou a um ritmo assinalável na economia portuguesa foi o peso do turismo. O turismo representava 15,7% das exportações em 2015 e, uma década depois, atingiu os 20,8% - ou seja, em 2024, foi responsável por 1/5 das exportações totais do país. 13/
É certo que, na última década, Portugal registou um aumento do peso das exportações de alta-tecnologia. Mas essa é uma tendência mundial: as exportações de bens de alta-tecnologia a nível mundial representavam 20% do total em 2015 e subiram para perto dos 23% em 2023. 12/
Mas as características do crescimento atual dos países do sul também apontam as suas fragilidades. O crescimento das exportações destas economias esteve associado a bens menos sofisticados e de serviços de baixo valor acrescentado, como o turismo. 11/
A guerra na Ucrânia e a subida dos custos da energia agravou um cenário que já era adverso para a indústria europeia, ameaçada pela concorrência da China. Os países do norte e alguns do leste europeu, com maior peso da indústria intensiva em energia, foram mais afetados. 10/
A recuperação do sul da Europa traduz uma mudança significativa na Zona Euro, cujo início foi marcado por um desequilíbrio entre países do norte que acumulavam excedentes comerciais e países do sul que, prejudicados por uma moeda sobrevalorizada, acumulavam défices. 9/
Portugal também tem sido bastante elogiado nos meios internacionais: há dois anos, Paul Krugman, economista norte-americano e prémio Nobel da Economia em 2008, classificou a experiência portuguesa como “uma espécie de milagre económico”. 8/
Um dado relevante deste ranking é que, desde a pandemia, a economia do ano tem sido do sul da Europa. Depois da Grécia ter ficado no topo em 2022 e 2023, Espanha subiu ao 1º lugar em 2024. Espanha tem sido o país mais elogiado pelo desempenho da economia desde a pandemia. 7/
O relatório Housing in the European Union, publicado pela Comissão Europeia, concluiu que as casas estão sobrevalorizadas face aos rendimentos e que Portugal é o país da UE onde o turismo (o motor do crescimento elogiado pela The Economist) teve maior impacto sobre os preços. 6/
Neste aspeto, a economia portuguesa destaca-se claramente... pela negativa. Portugal foi o país da UE em que o fosso entre os rendimentos e os preços da habitação mais aumentou ao longo da última década (i.e. onde o acesso à habitação mais se degradou). 5/
Isto junta-se a um outro problema que se prende com as limitações do indicador da inflação no que diz respeito aos custos da habitação. O indicador subestima de forma significativa o impacto dos preços das casas. 4/
Portugal destaca-se pelo crescimento do PIB, emprego e inflação (excluindo alimentos) estável. Mas a fatia da despesa que os portugueses dedicam à alimentação é das mais altas da UE. Somos dos países em q os preços da comida (excluídos) têm maior impacto no bolso das pessoas. 3/
O ranking da The Economist usa em 5 indicadores: inflação subjacente (i.e. excluindo energia e alimentos), amplitude da inflação, PIB, emprego e desempenho do mercado bolsista. A escolha das variáveis e o peso que se atribui a cada uma são discutíveis e envolvem subjetividade. 2/
Portugal é a “economia do ano” para a The Economist, mas os portugueses referem o custo de vida entre as principais preocupações. No país europeu em que o fosso entre salários e preços da habitação mais aumentou, o crescimento não tem sido igual para todos 🧵
Why there never was a Vibecession in one chart.
It’s always been about the prices of essentials.
Carvalho da Silva: "A precarização e os baixos salários não aumentam a produtividade. Trabalhadores precarizados e sem representação coletiva serão mais inseguros e descrentes no seu papel no trabalho e na sociedade. É preciso travar esse caminho. Com a greve geral e os combates seguintes."
A reforma laboral é defendida com dois argumentos: o de que a "rigidez" do mercado de trabalho português tem impedido o crescimento dos salários e o de que a flexibilidade promove a produtividade. Mas os dados e estudos disponíveis contam uma história diferente.
A receita pode financiar investimento em habitação - onde Portugal tem muito pouca oferta pública acessível -, no SNS e na escola pública. Educação e saúde universais são decisivas para reduzir desigualdades e construir uma economia mais justa. 20/20
Em comparação com a média da OCDE, Portugal tributa pouco a propriedade e muito o consumo (através do IVA, um imposto regressivo). Há margem para redistribuir a carga fiscal, aumentar IMI sobre segundas casas e imóveis vazios e taxar heranças acima de €1 milhão. 19/