Se tem uma coisa que muitas histórias apocalípticas deixam passar é que o provável fim da nossa espécie vai ser tão patético, bizarro e assustador quanto as narrativas do PKD. Nada de um fim com o lirismo melancólico de A Estrada.
Ele abraçou sem medo o kitsch da ficção científica norte-americana e nos legou Ubik e outros romances que apresentam realidades bizarras que hoje não se diferenciam muito da nossa.
Sério, a ficção do Philip K Dick é tosca, é desleixada, é aparentemente sem sentido e justamente por isso é tão fascinante.
Telepatas fazendo espionagem industrial e o demiurgo atuando na realidade através de um spray? Porra, que tosco, por que eu deveria ler isso? E é aí que você perde a experiência de ler um dos melhores romances do século passado, Ubik.
Um dos maiores profetas do mundo maluco de hoje foi um cara que escrevia histórias extremamente toscas envelopadas num gênero menosprezado pelo establishment literário.
Imagina, você se privar da experiência de ler um romance maravilhoso como Meridiano de Sangue porque aqui você acompanha um bando de escalpeadores sem escrúpulos.
Na hora eu pensei: ué, personagens precisam ser moralmente boas pra você se apegar a leitura?
Eu vi algumas pessoas expondo as suas impressões sobre esse romance, teve quem ficou se queixando que não conseguiu gostar tanto assim porque as personagens são moralmente detestáveis, embora muito bem escritas (?)
Pra que então ficar preso a briga boba sobre sistema de magia x ser melhor que o y?
Tem tanta coisa bacana pra se discutir sobre obras fantásticas, como a poesia das premissas absurdas, os diferentes exercícios de imaginação ou o impacto que um simples jogo de palavras inventadas tem em realçar o insolito.
Devo dizer que quem é leitor de fantasia e ficção científica tem a péssima mania de reduzir a diversidade da literatura fantástica ela meramente ser uma questão de worldbuilding, infelizmente.
O foda é que quanto a leituras praticamente não conheço ninguém, com exceção de uma única pessoa, que enxergue o fantástico de uma forma plural.
No geral me sinto bem fazendo as minhas coisas sem interagir com ninguém, na solidão. Mas às vezes faz falta conversar com alguém sobre o que eu ando estudando e lendo.
Essa capa do Moby Dick me pegou demais
Já leu Elric?
Eu assim agora
Evangélico é um bicho engraçado, pra não dizer deprimente
Veja vídeo