Bom, aqui em São Paulo eu conheço vários grupos que trabalham em parceria com indústria farmacêutica
Bom, aqui em São Paulo eu conheço vários grupos que trabalham em parceria com indústria farmacêutica
Eu também concordo que a resistência tá no setor privado. Mas essa mentalidade tem mudado nos últimos 15 anos. Meu laboratório mesmo tem diversas parcerias com indústrias farmacêuticas. O meu ponto é que mesmo que a indústria esteja aberta, muitos dos acadêmicos vêem as PPP com maus olhos
Hahahahah
E aí: A POLILAMININA pode ganhar UM NOBEL? 🤔
Eu te explico! 🧡
Tem razão, sempre coloquei alt-text nos meus fios mas como fiquei muito tempo sem fazer por causa do doutorado, esqueci. Obrigado por fazer
E quanto ao Nobel, mesmo que chegasse HOJE as prateleiras a polilaminina com tudo comprovado (Vai levar pelo menos 5 anos), o Nobel não sairia esse ano. O comitê costuma premiar as descobertas por volta de 10-20 anos depois, com os resultados e consequências já estabelecidos
Mas, como diria o Toguro, Calma pai. Não podemos colocar os carros nas frentes dos bois. Eu espero mais do que ninguém que a polilaminina funcione nos ensaios clínicos e possa ser usada para tratar pacientes com tetraplegia. Mas, só depois de passar pelas etapas do processo.
Pra terminar, eu vejo com bons olhos que pessoas que outrora estiveram falando mal da universidade pública (balbúrdia etc.) agora exaltam a Profa. Tatiana e a ciência brasileira. A gente faz muito com muito pouco! O cientista brasileiro é foda e é muito legal que seja reconhecido
da história a achar uma molécula com potencial de revolucionar curas, porque ela acha que ELA tem o poder de tomar um caminho diferente? Nisso eu dou um puxão de orelha: a polilaminina NÃO ESTÁ acima do método científico e se quer se provar, precisa passar por cada etapa
Apenas um estudo com controles rígidos pode garantir que responderemos essa pergunta. E nisso, entra a minha maior crítica até o momento à Profa. Dra. Tatiana Sampaio, a fala "Eu farei o que eu achar que for ético". A ciência não é personalista! Ela não é a primeira pessoa +
E isso porque um estudo tão pequeno quanto o disponível não responde perguntas fundamentais como: e se os 2 pacientes que morreram tiveram como a causa da morte a injeção da polilaminina? e se os 6 que melhoraram já melhorariam mesmo sem ela? ou até melhor do que com ela?
grupo placebo, como a @mellziland.bsky.social o @igoreckert.com.br e o Vitor Borin. O que posso afirmar e resumir pra vocês é: o grupo controle É NECESSÁRIO. Ele só não precisa necessariamente ser de placebo; podemos usar um ensaio head-to-head, que compara com o melhor tratamento disponível
eu sou químico medicinal, meu foco de trabalho são nas fases iniciais de desenvolvimento; o desenho de estudos clínicos requer um nível de estudo de epidemiologia e estatística mais sofisticado. Segundo, que muitos perfis já discutiram muito bem a necessidade/ética ou não de
SOMENTE segurança, e não eficácia, que é testada em escala pequena na fase 2 e em escala grande na fase 3. Não é meu intuito debater a fundo aqui a fala dela sobre necessidade de controle com placebo, primeiro porque é um tema que não é o meu foco de estudo;
Por isso peço calma quando falamos do tema: no momento, temos tanto estudos que falam a favor da poliLM quanto estudos que mostram efeito nulo. E aqui entra a necessidade do ensaio clínico bem feito, e passando pelas 3 fases. Na fase 1 que vai começar em março, será avaliado+
mais tratamento de fisioterapia e pilates, o que já é o tratamento preconizado e poderia ajudar os pacientes. No entanto, um espaço amostral de 6 pacientes não permite concluir nada, além de que a avaliação ASIA de lesão precisa ser muito bem feita para evitar falsas conclusões
cães (doi:10.3389/fvets.2025.1592687) falhou em achar efeito positivo, já num grupo mais heterogêneo, perto do que se encontraria na vida real. O estudo com humanos (mesmo doi do de ratos) reportou melhora em 6/8 pacientes com 2 mortes. Os pacientes receberam polilaminina +
Os estudos publicados até o momento traçam um caminho de incerteza. O estudo com ratos (no pré-print doi: 10.1101/2024.02.19.24301010) conseguiu concluir uma melhora estatisticamente significativa no grupo com aplicação de polilaminina frente ao grupo controle; já o estudo de +
ou seja, pesquisa oriunda 100% da universidade pública (Sem parceria no desenvolvimento inicial) e só então ir pra privada, só conheço o caso dela. Portanto, acho que só por chegar nessa etapa ela merece SIM palmas pelo feito.
Feito o assopra, vamos pro morde.
e levar em frente etapas tão caras e que tem tanto risco.
Chegar com uma pesquisa brasileira na fase de ensaio clínico fase 1 já é MUITO difícil. Existem poucos ensaios clínicos oriundos de pesquisas de inovação radical no brasil, e com a história parecida com a da Tatiana +
É estimado que para o desenvolvimento de cada novo medicamento, o investimento total desda prospecção até a chegada no mercado, incluindo ensaios clínicos, seja de um bilhão de dólares, com boa parte desse gasto só nos ensaios clínicos. Nenhuma universidade tem $ pra aguentar
O que é IMPOSSÍVEL fazer é desenvolver um medicamento CEM POR CENTO dentro da universidade; primeiro porque não é o propósito da universidade, que é produzir conhecimento, segundo porque não há espaço e instalações adequadas pra isso, terceiro porque o custo é IMENSO.
A Profa. tinha duas opções: ou faria uma startup do zero para desenvolver a sua tecnologia, que demandaria reuniões com investidores, estudo de negócios, logística de espaço e tudo mais, ou faria uma parceria com uma indústria já existente, que foi o que aconteceu.
resistência em firmar parcerias público-privadas; muitas vezes, pesquisadores que fazem parcerias com a indústria são até mal-vistos dentro de seus departamentos. Uma das perguntas do Roda-viva para a professora foi se ela não tinha medo de ficar na mão da Cristália pra pesquisa.
Outro ponto é que as Universidades brasileiras NÃO tem tradição em inovação; somos muito bons em pesquisa de base, mas existe muita resistência dentro da própria academia de transformar pesquisa básica em inovação e tecnologia, e muita +
Isso atrasa e muito a pesquisa de bancada no Brasil, que nos torna menos competitivos que o resto do mundo, então mesmo que tenha demorado, tenho certeza que a Tatiana foi muito persistente e guerreira para desenvolver essa pesquisa.
Para vocês terem uma ideia, uma molécula de 50 dólares podem chegar aqui a 600 reais (caso real que passei), a entrega que no hemisfério norte levaria 2-3 dias lá (já tive entrega no mesmo dia trabalhando em Oxford) pode levar 6 meses aqui pela burocracia na alfândega
Isso é um desafio no mundo inteiro, mas mais ainda no Brasil: os reagentes são mais caros pra nós do que pra Europa e EUA não só pela moeda mais fraca mas também pelos impostos;
Primeiramente, quero destacar que independente dos resultados dos ensaios clinicos, o que a Profa. Tatiana fez já é fantástico: ela teve a persistência de fazer pesquisa básica no Brasil e teve o clique de como aplicar essa pesquisa na medicina translacional( chegar pro paciente)
Queria começar a thread dizendo que pessoalmente não tenho nada contra a Profa. Dra. Tatiana Sampaio. Também digo que não vou FOCAR a polêmica do uso ou não de placebo no grupo controle, meu foco é na visão panorâmica do caso no contexto de desenvolvimento de fármacos.